sexta-feira, 13 de agosto de 2010

seres faltantes

Sem ser divertida, sendo só muito profunda (risos): o ser humano é, segundo Freud (e eu me rendo a quase todos os argumentos desse gênio-louco), um ser faltante. Isso significa viver toda a vida com alguma falta que jamais será realizada. No máximo, mudaremos de falta. Por que essa loucura? Porque cada escolha que fazemos implica a revelação de um novo desejo. Sempre, sempre, sempre, nos faltará algo. Isso começou lá quando éramos bebês. Passei um tempo me perguntando pra que essa loucura toda. Pra que édipos, seres faltantes e outras cositas. Olho de perto nosso cérebro e continuo a me perguntar por que a coisa não foi feita mais simples: é tudo muito perfeito, muito bonito, mas muito cheio de idas e vindas, voltas e reviravoltas. Nada é zero ou um. Mas sempre me deparo com a sapiência da Vida. Somos faltantes para que possamos ser quem somos. Com tudo que quiseram nos dar desde que nascemos não nos tornaríamos os sujeitos que somos, permaneceríamos para sempre imiscuídos, fundidos àqueles que nos queriam dar. Eles são maus? Não, são apenas seres faltantes como nós. É por isso que só nos resta calar todos esses eus, amordaçá-los se for preciso. E apenas viver, um minuto após o outro. Fácil? Nem um pouco. Mas é possível. Se um monte de gente já parou de beber usando a mesma técnica e filosofia, por que não podemos parar de pensar?

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