terça-feira, 27 de setembro de 2011

amor

Eu sempre soube. Nunca foi arrebatador e caótico. Foi sempre calmo e leve. Eu briguei muito com isso. E muitas vezes ainda brigo. Fico querendo a intensidade, a loucura e o desaranjo. Fico buscando paixão. Mas eu sempre soube que o que eu sinto é amor.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

meu pão de cada dia

Meu olhar tropeçou naquele mendingo. As pernas quiseram voltar para que as mãos se estendessem a ele. Tudo era, no entanto, o velho dar o que não se tem. Mas não. Quero olhar, pernas, corpo todo e alma voltados primeiro para mim. Quero, inteira sim, poder compartilhar. Nada mais de ficar com migalhas por ter dado o pão para os outros. O pão, todinho, é meu. Se sobrar, eu dou. E você tem que pedir. Meu cuidado é precioso demais para ser dado a quem desperdiça. Ou nem cobiça.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

segredinho do biloto

Eu e ele num quarto. Era pra ser o "enfim sós". Mas nem o quarto era nosso. Era na casa deles outros todos. Um estava no cômodo ao lado. Outro, no de cima. Ainda não dava pra ser só eu e ele. Ela passava e eu me preocupava com ela. A outra chegava. E eu me preocupava com todos eles. Acabava esquecendo de mim, e dele. Aos poucos vou percebendo a cumplicidade entre todos da casa. Menos eu. Não existiam desprotegidos. Eles se conheciam. Era só eu sobrando. Desprendida, posso olhar de novo pra ele. Olho pra outra também. A chegada dela parece que ajuda. Num carrinho de supermercado, um monte de presentes disfaçados pra mim. Era o ofício dela. Disfarçava presentes para que eu pudesse recebê-los sem a interferência daqueles outros. A outra e ele sabiam esse segredo. E me mostravam. E me enchiam desses presentes secretos. Só nossos.

um, dois, três...

Tem gente de todo jeito. Tem gente “um’, tem gente “dois”, tem gente que é “tantos” que nem consegue ser “gente”. Não dá tempo de “ser”. Por enquanto, eu vim na vida para ser eu e só eu. “Euzinha” e o mundo. Mas a gente tem várias vidas em uma só. Pode ser que venha um tempo em que eu serei “dois”, talvez “três”. Por enquanto não quero. Já esta me custando muito ser “um”. As vezes acho estranho esse mundo todo só para mim. Parece que todo mundo divide o seu mundo e eu sou a única, egoísta, que quer o mundo só para si. Ah! Mas nessa vida que vivo agora, é tão bom olhar em volta e sentir que é tudo meu. Quando alguém ameaça entrar tenho vontade de correr. É meu! O espaço é meu. O tempo é meu. O mundo é meu e todas as possibilidades são minhas, mesmo que eu nunca as use. As possibilidades me agradam.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

também não sei

A Cris escreveu no blog dela que aprendeu, com a mãe ou com Platão, a ser incompleta, “como se sozinha não fosse inteira”. Li, achei bonito e até senti um pouco de inveja. Pois eu não sou assim. Aprendi, sozinha, a ser inteira, a ser completa e a ser... sozinha. Agora, diferente da Cris, não sei como desaprender a ser uma, pra poder ser dois.