Já passamos dos 30, mas falar sobre o crescer ainda é um tema recorrente em nossos diálogos. A tarefa às vezes é tão árdua, que por pouco esse blog não ganhou um nome ofensivo ao tema. Mas sinal de que estamos cada dia um pouco mais crescidas é que percebemos isso a tempo e mudamos. A grande questão é que crescer não é nada fácil. A maioria de nós passa a infância sonhando com o dia em que seremos adultos. Ansiosos, fantasiamos como será quando tivermos nosso próprio dinheiro, nossa carteira de motorista; quando pudermos viajar só com amigos, levar o namorado (a) para dormir em casa; quando tivermos nossa própria “vida”. Sonhamos ser donos do nosso próprio nariz. Só não paramos para pensar em todos os ônus que vêm junto com cada uma dessas conquistas. Eis que os anos vão passando e percebemos que a vida é uma odisséia: cheia das esperadas aventuras, mas também abarrotada de imprevistos. Nessa viagem, muitas pessoas acabam endurecendo diante das dificuldades. Fazendo uma escolha aqui e outra ali, vai ficando para trás a doçura da criança que um dia fomos. Imagino que a grande conquista, afinal, seja “matar os demônios sem que morram também os anjos”*. Como? Rindo da gente. Gargalhando das nossas maluquices. Sendo sempre doidamente divertidas. Rs.
*Marie-Louise Von Franz, psicanalista, pesquisadora e escritora da Alemanha, importante continuadora do trabalho de Carl G. Jung.
Um comentário:
Será que estamos chegando na "idade da razão" (o meio da vida, como dizia Sartre)?... Não sendo mulher, eu, acho que a identificação foi automática.
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