quinta-feira, 28 de outubro de 2010
intestinos
Eu tenho um espelho em casa. Muitos dirão: que novidade há nisso, numa mulher ter um espelho em casa? É que o meu é enorme. Talvez não exista outro com tantos metros e centímetros. E ele se move. Não sei se tem pernas, asas. Ás vezes parece que são tentáculos. E, insistentemente, insiste em ficar bem perto de mim. Desse jeito, vejo meus míninos detalhes. Todos os poros abertos. Tem hora que parece que reflete até os intestinos, por dentro mesmo. Tem lá suas vantagens. Ver os próprios intestinos sem precisar deitar numa mesa cirúrgica é no mínimo curioso. O fato, no entanto, é que intestinos nem sempre são bonitos.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
lição do poeta
Ser feliz faz parte de uma eterna escolha. Uma escolha que fazemos ao olhar a grama do vizinho, ao comer a comida da nossa mãe, ao comer a comida de outras mães, ao observar nossa vida, ao observar a vida dos outros, ao lutar nossas cotidianas batalhas. Escolhemos também receber ou não os presentes da vida. A vida nos dá mil presentes todos os dias. Ela não se cansa de dá-los, mesmo quando nem os abrimos, mesmo quando os olhamos com olhos tristes, mesmo quando simplesmente nos recusamos a sermos felizes. Pode existir um presente ao nosso lado quando acordamos pela manhã. Um presente pedido para vida tantas vezes e ela demorou a dar, pois estava escolhendo o melhor para nós. Pode existir um presente quando você passeia pelo quintal da sua casa e em cada pedacinho dela. Todos os pássaros que cantam no quintal são presente que a vida escolheu para dar. Mas quando ganhamos muitos presentes, algumas vezes cansamos de abri-los. Tem dia que a gente acorda sem vontade de brincar. Nesse dia escolhemos a escuridão. Nesse dia esquecemos a lição do poeta: “é melhor ser alegre que ser triste”.
(Esse post é da Bibi. O computador dela não funciona pra isso no trabalho e eu postei pra ela. Aliás, que espécie de local de trabalho é esse que não permite a livre expressão de sentimentos? Rs)
(Esse post é da Bibi. O computador dela não funciona pra isso no trabalho e eu postei pra ela. Aliás, que espécie de local de trabalho é esse que não permite a livre expressão de sentimentos? Rs)
a luz e a escuridão
Existe em nos um pouco de luz e um pouco de escuridão, pois tudo no universo consiste em equilíbrio. Imaginava que o equilíbrio era naturalmente tranqüilo e não exigia esforço. Quando engano! Como poderia duas forças opostas equilibrarem-se sem nenhum esforço? O equilíbrio esta no que escolhemos. O tempo todo escolhemos entre amor e ódio, tristeza e alegria, satisfação e insatisfação, guerra e paz. O tempo todo escolhemos entre luz e escuridão.
quando a grama parece seca
Por que a grama do vizinho parece sempre mais verde? Por que a comida da mãe do amigo é mais gostosa que a que a nossa faz? Por que a mãe do amigo é melhor que a nossa? Por que a vida dos outros é sempre, se não melhor, mais fácil que a nossa? Por quê? Por que eu vejo coisas simplesmente acontecendo na vida dos outros e pra acontecerem na minha eu tenho que operar, tentar, tratar, conversar e decidir? Gostaria de não precisar decidir nada. De tanto lutar – e eu sempre acho que já lutei mais que os outros – eu queria que as coisas viessem como um presente da vida, descobertas de repente. Por que isso tudo Bibi? E por que eu sou assim? Essa que vos fala é uma Lili um tanto dramática, e um pouquinho de mal com a vida.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Ai Lili
Isso foi lindo, Lili. Eu também te amo. E nossa amizade já me tirou de vários apuros. rs
Ai Lili, falar de nossas mães não vai ser tarefa fácil. Você sabe que perco a doçura com facilidade. A perco sempre que sinto o meu véu caindo. Perco sempre que o amor me ameaça ou quando o ser amado se aproxima demais. Sou difícil de se amar Lili? Ou acho que me amar tem que ser, obrigatoriamente, difícil? Seja lá qual for o meu problema com o amor, minha mãe venceu toda e qualquer barreira que eu criei. Minha mãe é uma mãe perfeita. A mais perfeita de todas as mães.Que filha conseguiria sobreviver a isso?
Mas, respiremos fundo. Vamos em frente... Talvez devamos jogar migalhas de pão por esse caminho. ;)
Ai Lili, falar de nossas mães não vai ser tarefa fácil. Você sabe que perco a doçura com facilidade. A perco sempre que sinto o meu véu caindo. Perco sempre que o amor me ameaça ou quando o ser amado se aproxima demais. Sou difícil de se amar Lili? Ou acho que me amar tem que ser, obrigatoriamente, difícil? Seja lá qual for o meu problema com o amor, minha mãe venceu toda e qualquer barreira que eu criei. Minha mãe é uma mãe perfeita. A mais perfeita de todas as mães.Que filha conseguiria sobreviver a isso?
Mas, respiremos fundo. Vamos em frente... Talvez devamos jogar migalhas de pão por esse caminho. ;)
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
muito amando
Sabe, Bibi. Hoje li uma frase que diz assim: "pouco amava, porque o amor não lhe cabia no peito". Não sei o que o autor quis dizer com ela. Vou perguntar na segunda-feira. Isso, eu conheço o cara. Tenho a alegria de conhecer mais de uma pessoa profunda assim, como você. Rs. Entendi que é tanto amor, mas tanto amor, que ele prefere não amar porque não cabe. Rs. Pensando direito agora, acho que não foi bem isso o que ele quis colocar. Mas, como você bem sabe, a gente interpreta o mundo e as coisas do mundo conforme as lentes dos nossos óculos. Por isso achei tão lindo, tão lindo... Até bem pouco tempo eu pensava e vivia assim: o amor me dava medo. Ao mesmo tempo que enchia meu coração, me apavorava. Eu vivia sem saber o que fazer. O amor tinha vida própria, brotava, eu não usava, ele transbordava e eu me assustava. Rs. Era uma bagunça só. Mas mesmo assim era uma bagunça boa. Mesmo sem saber o que fazer com ele, era bom tê-lo em mim. E algo me dizia que um dia eu ia aprender a administrar essa coisa toda. Hoje eu tô aqui, com muito amor no peito (e cabe bastante porque meu peito é grande - rs), e compartilhando de todo ele. Resolvi escrever isso enquanto a gente não começa a debater sobre nossas mães. Acho que essa conversa vai ter um pouco de fel, mas também terá frases doces como o amor. Meu irmão e minha sobrinha, que eu amo tanto, estão apontando a bússula deles novamente para o norte. Já choro de saudade. Mas eis que hoje encontrei meu norte por aqui. Tem sido um constante aprendizado, mas cada vez mais sereno e construído sobre firme rocha. Estou feliz, Bibi. E meu peito não transborda mais de amor. Hoje, muito amando, a quantidade é sempre a certinha e suficiente. Te amo.
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